Carta aberta ao meu bebê

 Eu sei que você ainda é tão pequenino que sequer pode me entender, mas eu preciso que você saiba que, tão logo soube que já estavas aí, meu coração explodiu a ponto de eu não saber como segurar tanta ansiedade para poder, finalmente, lhe ter em meus braços.

Saiba, meu amor, que, mesmo eu já sendo adulto, tenho muito medo, pois ser pai é muito mais do que pôr um filho no mundo e sustentá-lo. Ser pai implica em saber ouvir, saber falar, saber dizer um “não” ou um “sim” na hora exata, saber ser duro quando se é preciso, mas também se ser compreensivo e amoroso acima de tudo. Tenho medo do tanto de coisas que tenho que saber. Já li muito, já estudei inúmeras coisas, mas hoje me sinto inseguro, pois não sei de nada do que se descortina diante de mim. É um mundo novo que se abre e eu tenho que estar seguro para adentrá-lo.

Queria que você soubesse que o mundo aqui fora por vezes é hostil e há, de fato, noites escuras e dias tempestuosos. Mas não se preocupe, pois por todas as noites pelo resto de minha vida eu estarei com você, protegendo, mostrando pra você que não há nenhum “bicho papão” embaixo da cama e que lá fora é só uma chuva e que logo vai passar. Se por acaso você estiver com muito medo do escuro ou com muito frio, pode vir dormir ao meu lado, embaixo do meu cobertor, pois comigo, em meus braços, nada de mal jamais vai lhe acontecer.

Sabemos que iremos nos divertir muito juntos. Irei lhe levar para passear, irei brincar com você, iremos rir juntos e também irei lhe ensinar as primeiras palavras (fala primeiro “papai”, por favor) e os primeiros passos. Sobre os primeiros passos, preciso que você saiba que nem sempre eles são fáceis e que por vezes nós caímos e ralamos os joelhos, mas a cada pequena queda e machucado que tiver, eu estarei lá para ajudar e dizer que não foi nada de mais e que logo aquele “dodói” vai passar.

Sabendo que mesmo você sendo, hoje, apenas uma sementinha que todo dia cresce um pouquinho no útero de sua mãe, eu me sinto meio bobo por estar falando tanta coisa que é possível que você nem entenda, mas eu preciso que você saiba que aqui fora estamos, eu e sua mãe, aguardando ansiosamente a sua chegada. Então, vem logo, bebê, que já não estamos mais aguentando de ansiedade para podermos lhe segurar nos braços.

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